Friday, February 07, 2014

Exercício Photoshop e Cintiq 12


Faz muito tempo que não posto um processo de produção no blog. Achei que seria legal comentar um pouco sobre uns estudos que estou fazendo com referência fotográfica. A intenção aqui é trabalhar a estilização e aprimoramento do meu traço, para isso a foto é legal, pois permite que eu me concentre apenas em decodificar a imagem para meu estilo, ao invés de me preocupar com composição, anatomia  e outras coisas.
O primeiro passo é fazer um esboço muito solto da figura. Meu desafio aqui é não começar a detalhar antes da finalização. Muitos artistas iniciantes fazem isso e até eu mesmo me pego "passando do ponto do layout" as vezes. Por isso esse passo consiste em concentrar-se nas formas básicas e na silhueta apenas.

Feito o layout, deixo o layer em opacity 20% mais ou menos e começo as linhas. Tenho buscado cada vez mais a simplicidade no traço, em não carregar a arte com linhas "desnecessárias" e aqui não marco nada dos volumes de preto. Usei mais algumas imagens de referência do rosto do ator em outros ângulos para me ajudar a entender alguns detalhes em profundidade. Uso muito pouco o zoom do Photoshop e o Ctrl Z, o legal é deixar a mão ir sem pensar muito. Isso exige é claro, uma boa dose de concentração, então não tente isso no meio da sala de casa com a família toda tocando o terror em volta. Madrugadas são altamente recomendáveis ;)

O resultado do traço é esse, usei o Brush no tamanho 30, com shape dynamics e um pouco de jitter pra quebrar as bordas e dar uma cara mais irregular ao traço. Não tem valorização de linha a não ser o que sai naturalmente pela configuração do pincel. Que simula algo como uma caneta com ponta de pincel mesmo.

 Agora os pretos, trabalhando muito tempo com áreas grandes e chapadas de preto e observando o trabalho dos caras que eu admiro nesse estilo, cheguei à conclusão de que não se desenha as áreas de preto com linhas e depois preenche com preto, o ideal mesmo é pegar um pincel bem mais grosso, acho que de uns 100 nesse caso, ainda com o shape dynamics e lascar a mancha mesmo, a mancha cria sua própria silhueta e dá uma cara bem solta e dinâmica pro trabalho. Outra coisa, aqui é preciso "ler" a foto e pensar que não existem tons de cinza, só preto e branco. Cabe a você encontrar uma maneira de decodificar a realidade de maneira harmoniosa e pensando no equilíbrio da imagem.  

Os cinzas são só uma firula a mais para ajudar a separar alguns planos, o ideal é que só no preto e branco a imagem já esteja resolvida, tenho um cuidado especial também para que fiquem falhas no preenchimento (isso mesmo, o resultado desleixado é cuidadosamente planejado, hahaha) mais uma vez para reforçar o resultado mais solto e natural.

É isso aí galera, espero que isso sirva pra quem tem curiosidade em trabalhar nesse sistema. Se quiserem beber da mesma fonte que eu, alguns artistas que recomendo são Ivo Milazzo (Ken Parker), Goran Parlov (Justiceiro e Nick Fury da linha MAX da Marvel.) Marcos Mateu Mestre (Framed Ink, Trail of Steel), R.M. Guera (Scalped), Jordi Bernet e também o Rafael Albuquerque (American Vampire).

Abraço!  

1 comment:

Gilberto Queiroz said...

Show de bola, Ferigato! Pra variar...
Grande abraço.